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Publicado a 13 de Março 2026

O jornalismo é pouco acessível para pessoas com dificuldades de aprendizagem

Um estudo publicado pelo Reuters Institute demonstra que a acessibilidade ao jornalismo, sobretudo no que toca à compreensão e à linguagem utilizada, não é, ainda, para todos os públicos.

A acessibilidade às notícias continua a ser um desafio para pessoas com dificuldades de aprendizagem. Num trabalho desenvolvido durante uma bolsa no Reuters Institute, o jornalista William Kremer percebeu que, embora estas pessoas consumam muito conteúdo dos média, têm dificuldades significativas no acesso e na compreensão de grande parte das notícias mainstream.

A qualidade do acesso é uma das dimensões do conceito qualidade da informação, como articulado pelo Barómetro para a Qualidade da Informação (2025), e um dos indicadores desta dimensão tem que ver com os “conteúdos em formatos acessíveis a pessoas com incapacidade/necessidades específicas/neurodivergentes” (p. 47). Segundo o estudo de Kremer, este indicador tem sido pouco trabalhado.

O autor percebeu, através de entrevistas que conduziu e, também, de grupos de foco realizados pela BBC, que pessoas com dificuldades de aprendizagem consideram as notícias “demasiado rápidas” para conseguir compreender toda a informação que está a ser noticiada; que a linguagem contém palavras difíceis de entender; e que as notícias têm, frequentemente, um impacto emocional negativo, causando aflição (por falta de contexto ou resolução do assunto abordado, e também por falta de compreensão total das histórias).

Através dos painéis de discussão que levou a cabo com pessoas com dificuldade de aprendizagem, Kremer percebeu que um dos pontos mais importantes para os participantes era que as notícias lhes dissessem “não só aquilo que está a acontecer, mas que os ajudassem a fazer sentido disso, e a agir sobre isso”.
O autor aponta que, para o jornalismo ser mais acessível – e, assim, alargar os públicos que alcance – é necessário:

  • – “tratar as pessoas com dificuldades de aprendizagem como público legítimo;
  • – investir em formatos e fluxos de trabalho que apoiem a acessibilidade;
  • – envolver pessoas com experiência vivida em design e produção;
  • – aceitar que o jornalismo pode precisar de ter uma aparência e tom diferente para ser mais justo”.

 

Em consonância, a UNESCO tem, também, um manual e uma master class que servem de guia para produção, por parte dos média, de conteúdos mais acessíveis.

No que diz respeito a pensar os conteúdos para serem acessíveis por diferentes públicos, nomeadamente por pessoas com dificuldades de aprendizagem: já existam alguns exemplos de notícias pensadas para, e, por vezes, feitas por, pessoas com dificuldades de aprendizagem. Exemplo disso são a TV Bra, na Noruega, ou os noticiários com linguagem mais acessível e estruturas frásicas mais simples, na Áustria e na Alemanha). O próprio relatório de William Kremer tem duas versões (o relatório completo e o relatório de leitura simples).

A questão de acessibilidade à informação e, neste caso particular, à informação jornalística, é fundamental para a vivência em sociedade e para a tomada de decisões informadas, por exemplo (Barómetro para a Qualidade da Informação, 2025).

Referências
Barómetro para a Qualidade da Informação. (2025). Avaliar a qualidade da informação: Referencial teórico-metodológico. CECS.

Fotografia: Markus Winkler, na Unsplash

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