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Publicado a 7 de Julho 2026

Dificuldades de financiamento e apelo para a cooperação além-fronteiras entre as organizações de verificações de factos

Fundamental à qualidade do jornalismo e da qualidade da informação em geral, a verificação de factos é cada vez mais necessária num contexto social em que as redes sociais e a IA são terrenos fertéis para a circulação de informação falsa.

Legenda: Fotografia de Florian Steffen, na Unsplash

Organizações de verificação de factos, reunidas em Vilnius, Lituânia, por ocasião do GlobalFact 2026, apontam para a falta de financiamento e para a Inteligência Artificial (IA) como duas das principais ameaças ao trabalho que desenvolvem.

Nesta conferência, organizada pela International Fact-Checking Network, que faz parte do Poynter Institute, salientou-se o papel da verificação de factos e dos média enquanto infraestruturas essenciais à proteção da democracia. Numa zona geográfica em que a “manipulação de informação e campanhas de interferência russas” são uma realidade próxima, foi aplaudido “o apoio expresso do governo lituano aos verificadores de factos” – um ato em contracorrente com o que tem sido a atuação de diversos atores, nomeadamente empresas big tech, como a Meta, que está a pôr fim ao programa de verificação de factos implementado no Facebook (com o conselho de supervisão da Meta a avisar que as Notas da Comunidade não são um substituto adequado para a verificação de informação).

Os cortes de financiamento levados a cabo pelo governo dos EUA, juntamente com os das empresas big tech, têm tido impacto no trabalho das organizações de verificação de factos. O apelo, durante o GlobalFact 2026, foi para a diversificação de fontes de financiamento, além das bolsas e subsídios, como conteúdo editorial pago; necessário, sobretudo, porque o trabalho de verificação de factos, sendo um bem público “abrangente e difuso”, acaba por ser difícil de monetizar.

No entanto, o trabalho levado a cabo por estas organizações é cada vez mais essencial: não só é um passo fundamental para garantir a qualidade do jornalismo, como o crescimento das redes sociais – espaços onde a desinformação circula com mais facilidade – enquanto meio de acesso de às notícias tornam este processo cada vez mais necessário dentro destas plataformas. Para além desta questão, já existente há algum tempo, um ponto mais recente no que toca à desinformação prende-se com os Large Language Models (LLM; ChatGPT, Claude ou Gemini, por exemplo). Pessoas com más intenções “estão a inundar a Internet com artigos que contêm narrativas falsas ou enganosas, na esperança de que os produtos comerciais de IA generativa as reflitam nas suas respostas” (aquilo que já começa a ser chamado de “envenenamento de LLM”), segundo o artigo do Nieman Lab.

A facilidade com que a desinformação atravessa fronteiras aumenta e, por isso, o repto no GlobalFact 2026 foi que a verificação de factos (e, assim, o esforço na direção de garantir a qualidade da informação em circulação) não pode, também, ter limites geográficos: ficou o apelo para a cooperação, partilha e organização de iniciativas de verificação de factos trans-fronteiriças.

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