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Publicado a 21 de Maio 2026

Falta de financiamento e o impacto na qualidade do jornalismo

No Myanmar, muitos jornalistas estão a acumular outros trabalhos à medida que se instala uma crise de financiamento dos órgãos de informação, segundo o Reuters Institute.

Legenda: Fotografia de Jakub Żerdzicki, na Unsplash

Em momentos de guerra civil no Myanmar, vários média e jornalistas estão agora a trabalhar no exílio, com a junta militar que rege o Myanmar a atuar no sentido de oprimir a imprensa. Neste contexto, que se alia a uma crise de financiamento do jornalismo, vários jornalistas veem-se com necessidade de fazerem serviços de táxi, serem contabilistas em part-time ou vendedores em bancas de comida, como refere um trabalho do Reuters Institute. Estes trabalhos secundários são essenciais devido à redução, ou mesmo corte total, dos salários dos jornalistas – uma jornalista aponta mesmo que reportar tornou-se um hobbie – e, também, para apoiar o financiamento das redações de forma a que os jornalistas consigam continuar a reportar.

Estas dificuldades conduzem a uma maior enfâse na performance dos trabalhos jornalísticos e nos algoritmos ao invés da qualidade do jornalismo produzido. Um dos jornalistas ouvido pelo Reuters Institute refere que a monetização dos posts nas plataformas tornou-se, essencialmente, o mais importante, isto é, aquilo de que audiência gosta e que gera maior interação. Esta é uma realidade que causa “desconforto” e uma sensação de “vergonha”. Os jornalistas dizem sentir-se frustrados com esta tendência que, apontam, traz consequências negativas inevitáveis para a qualidade do jornalismo.

Após o golpe de estado de 2021, a situação financeira do jornalismo no Myanmar agravou-se significativamente, um cenário que piorou com o fim da agência de apoio ao desenvolvimento internacional dos EUA – a USAID, em 2025. Num relatório de um consórcio entre a Internews Europe, a BBC Media Action e a Free Press Unlimited (“Crisis in Journalism: The Impact of the US Government Funding Cuts on Global Media”), percebeu-se que o encerramento da USAID teve consequências como: “o encerramento e os despedimentos em massa de veículos de comunicação social são generalizados”; maiores riscos para jornalistas, nomeadamente os que se encontravam/encontram em zonas de conflito; o desaparecimento de média locais de confiança – por exemplo, rádios comunitárias em países como o Sudão do Sul ou o Afeganistão, que eram a única fonte de informação fidedigna; e o “aumento das ameaças desinformativas” porque “os atores autoritários e as campanhas de influência estrangeira” têm mais margem para explorar “a fragilidade dos meios de comunicação social”.

O fecho desta organização de apoio ao desenvolvimento internacional levou a uma perda de 150 milhões de dólares de apoio anual ao jornalismo e para o ecossistema informativo – um apoio essencial à sobrevivência de vários média em contextos autoritários e de alto risco.

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